De Quantas Formas o Estado pode Matar?
Published on May 8, 2026 by Climáximo

“Há muitas maneiras de matar uma pessoa.
 Cravando um punhal, tirando o pão, não tratando sua doença, condenando à miséria, fazendo trabalhar até arrebentar, impelindo ao suicídio, enviando para a guerra, etc.
 Só a primeira é proibida por nosso Estado.”

Bertolt Brecht
Dramaturgo, Poeta e Encenador Alemão

A frase é do século passado, mas descreve bem o Portugal de hoje.

Afinal, todos os dias surgem novas declarações e propostas do governo português a mostrar como o Estado continua a decidir quem pode viver com dignidade - e quem fica para trás.

Na saúde, por exemplo: Luís Montenegro garante que existe apenas uma “perceção de caos” no SNS e que os tempos de espera são os melhores dos últimos anos. Mas urgências continuam a ser encerradas, há falta de médicos, dificuldades no acesso a medicamentos e o aumento dos gastos das famílias com os serviços privados.

O Governo insiste também numa nova reforma laboral em nome da “produtividade” e da “flexibilidade”, mas que pode levar a mais despedimentos, enfraquecimento da negociação coletiva e menos proteção para trabalhadores.

Enquanto a habitação é tratada como investimento e não como direito, os preços das casas não param de subir e de fazer com que cada vez mais pessoas sejam empurradas para fora das cidades ou para situações de maior precariedade. 

 Na educação, acumulam-se sinais de desgaste: há mais alunos sem aulas por falta de professores do que no ano passado. E a solução apresentada pelo ministro da Educação? É esperar até 2027. 

Num país marcado por baixos salários, trabalho precário e dificuldades no acesso à habitação, o Estado falha em garantir estabilidade aos jovens, mas oferece incentivos económicos para os empurrar para as Forças Armadas e para a dinâmica da guerra. 


O Governo aponta a neutralidade carbónica apenas para 2045, enquanto os impactos da crise climática já se fazem sentir agora. 

As populações afetadas pelas tempestades denunciam atrasos no pagamento de apoios para a reconstrução de habitações e a recuperação económica das famílias.

E qual é a proposta? Tornar obrigatório um seguro privado para todas as habitações: mais uma excelente oportunidade de negócio para as seguradores e o capitalismo fóssil.

Segundo o primeiro ministro: “o Estado não pode pagar tudo, a todos, a todo o tempo”. 😡
 

Até quando vamos suportar? 

O Estado decide, todos os dias, quais riscos são aceitáveis e quem terá de viver com eles.

Quantas continuarão sem médico de família ou sem acesso a cuidados de saúde?
Quantas famílias serão expulsas das suas casas?
Quantos trabalhadores viverão com mais precariedade e menos direitos?
Quantos alunos continuarão semanas sem aulas?
Quantos jovens terão como única proposta estabilidade a militarização? 

E quantas pessoas resistirão à próxima “maior temperatura média de sempre”? Às próximas ondas de calor? E às próximas tempestades? Furacões? Enchentes? 

“O preço de qualquer coisa é a quantidade de vida que você troca por ela.”

Henry David Thoreau
Escritor, Poeta, Filósofo e Naturalista
Autor de Desobediência Civil. 


A paz, o pão, habitação, saúde, educação 


 Em As conferências não nos vão salvar, Matilde Alvim, Apoiante do Climáximo, diz: 
O futuro ainda não está escrito na pedra. Seremos nós a decidir se vamos deixar que os governos e as empresas continuem a sua guerra contra a Humanidade, ou se iremos puxar o travão de emergência e construir uma vida melhor para todos.

Só as pessoas comuns, organizadas e unidas, podem travar quem continua a empurrar-nos para o colapso. Vem connosco!


No dia 15 de maio, estaremos em frente à sede do governo, no Campo Pequeno, numa concentração que fechará uma semana de “luta pelo futuro", pela educação, pela saúde e pela soberania alimentar.

Convocamos toda a sociedade para mostrar que somos muitos os que não aceitam vender a vida e o futuro em troca dos lucros deles.

Vamos transformar o luto por tudo o que já perdemos em luta por um sistema que coloque a vida no centro de todas as decisões.


Obrigada por seu apoio
Até já.