“Há muitas maneiras de matar uma pessoa. Cravando um punhal, tirando o pão, não tratando sua doença, condenando à miséria, fazendo trabalhar até arrebentar, impelindo ao suicídio, enviando para a guerra, etc. Só a primeira é proibida por nosso Estado.”
Bertolt Brecht Dramaturgo, Poeta e Encenador Alemão
A frase é do século passado, mas descreve bem o Portugal de hoje.
Afinal, todos os dias surgem novas declarações e propostas do governo português a mostrar como o Estado continua a decidir quem pode viver com dignidade - e quem fica para trás.
O Governo insiste também numa nova reforma laboral em nome da “produtividade” e da “flexibilidade”, mas que pode levar a mais despedimentos, enfraquecimento da negociação coletiva e menos proteção para trabalhadores.
Enquanto a habitação é tratada como investimento e não como direito, os preços das casas não param de subir e de fazer com que cada vez mais pessoas sejam empurradas para fora das cidades ou para situações de maior precariedade.
Num país marcado por baixos salários, trabalho precário e dificuldades no acesso à habitação, o Estado falha em garantir estabilidade aos jovens, mas oferece incentivos económicos para os empurrar para as Forças Armadas e para a dinâmica da guerra.
O Governo aponta a neutralidade carbónica apenas para 2045, enquanto os impactos da crise climática já se fazem sentir agora.
As populações afetadas pelas tempestades denunciam atrasos no pagamento de apoios para a reconstrução de habitações e a recuperação económica das famílias.
Segundo o primeiro ministro:“o Estado não pode pagar tudo, a todos, a todo o tempo”. 😡
Até quando vamos suportar?
O Estado decide, todos os dias, quais riscos são aceitáveis e quem terá de viver com eles.
Quantas continuarão sem médico de família ou sem acesso a cuidados de saúde? Quantas famílias serão expulsas das suas casas? Quantos trabalhadores viverão com mais precariedade e menos direitos? Quantos alunos continuarão semanas sem aulas? Quantos jovens terão como única proposta estabilidade a militarização?
E quantas pessoas resistirão à próxima “maior temperatura média de sempre”? Às próximas ondas de calor? E às próximas tempestades? Furacões? Enchentes?
“O preço de qualquer coisa é a quantidade de vida que você troca por ela.”
Henry David Thoreau Escritor, Poeta, Filósofo e Naturalista Autor de Desobediência Civil.
O futuro ainda não está escrito na pedra. Seremos nós a decidir se vamos deixar que os governos e as empresas continuem a sua guerra contra a Humanidade, ou se iremos puxar o travão de emergência e construir uma vida melhor para todos.
Só as pessoas comuns, organizadas e unidas, podem travar quem continua a empurrar-nos para o colapso. Vem connosco!
No dia 15 de maio, estaremos em frente à sede do governo, no Campo Pequeno, numa concentração que fechará uma semana de “luta pelo futuro", pela educação, pela saúde e pela soberania alimentar.
Convocamos toda a sociedade para mostrar que somos muitos os que não aceitam vender a vida e o futuro em troca dos lucros deles.
Vamos transformar o luto por tudo o que já perdemos em luta por um sistema que coloque a vida no centro de todas as decisões.