Impossível até deixar de o ser
Published on April 29, 2026 by Climáximo

“Fim dos combustíveis fósseis até 2030? Estão a brincar? Isso é impossível.”

Quantas vezes já não ouvimos isso?

Mas há um momento em que o impossível deixa de o ser...
ou porque alguém o faz...
ou porque deixa de haver alternativa.


Foi assim na pandemia. 

Diziam que parar a economia era impossível. Que ficar em casa significava colapso total.
Não era simples. Mas tinha de ser assim - e foi.

Agora, com a escalada da guerra entre Israel e os EUA contra o Irão, há governos a prometer acelerar investimentos em renováveis, repensar infraestruturas fósseis e até abandonar novos projetos de gás.

No ano passado, com a ação “Parar Aviões”, ouvimos também que reduzir voos de curta distância era impensável. No entanto, na última semana o grupo Lufthansa cancelou 20.000 voos de curta distância “não rentáveis” devido ao aumento do preço do combustível.


Mas não nos deixemos enganar.

Enquanto se fala em mudança, os subsídios aos combustíveis fósseis - pagamentos diretos, benefícios fiscais e apoios aos preços - seguem a alimentar o consumo, a dependência energética e as emissões.


Quem ganha com isso? Sabemos bem.

A Galp viu os seus lucros dispararem 41%, impulsionados pela subida ade preço do petróleo.

A BP mais do que duplicou os seus lucros no primeiro trimestre, atingindo 3,2 mil milhões de dólares, a beneficiar-se diretamente da escalada dos preços da energia e da instabilidade provocada pela guerra no Irão.

Até o governador do Banco de Portugal, já em funções, reforçou a sua carteira com ações da Galp - uma prática incompatível com as regras do Banco Central Europeu e que expõe até que ponto as instituições estão alinhadas com os interesses que deveriam regular.
 

E quem perde?

Todas nós.

As famílias afetadas pelas tempestades em Portugal terão de voltar a pagar empréstimos depois do fim de medidas temporárias de apoio.

Os impactos na saúde agravam-se, com aumento da mortalidade associada ao calor e maior vulnerabilidade a doenças.

O clima continua a aquecer, com 2026 a caminho de ser um dos anos mais quentes de sempre.
O verão pode ser “terrível”.

Ao mesmo tempo, a produção alimentar global está sob pressão, com ondas de calor a comprometer colheitas e meios de subsistência.


E depois do falhanço de mais uma COP… 

Alguns países reuniram-se na Colômbia para a primeira conferência dedicada à transição fora dos combustíveis fósseis.

Mas não há ilusões: uma transição justa não virá dos governos e empresas que continuam a lucrar com este sistema.


O Fim ao Fóssil até 2030 é possível. E é por isso que lutamos!

Em 2023, ativistas de vários países, incluindo Portugal, interromperam a festa de uma elite que continua a sacrificar a vida da maioria para manter o seu conforto. Usaram os próprios corpos para travar um evento onde cada jato privado exposto podia emitir, numa hora, mais do que uma pessoa média emite num ano inteiro.

Quase três anos depois, o evento foi cancelado definitivamente. Já não conseguem esconder o que ele representa num mundo em chamas e marcado pela desigualdade.

Esta é uma batalha ganha numa guerra que governos e empresas travam todos os dias contra nós para proteger os seus lucros.

Uma vitória de quem se recusa a baixar os braços.
Porque é possível. E porque a ação direta constrói poder popular - e funciona.


Junta-te a nós!

1 DE MAIO - 17:30h - ALAMEDA 

Queres participar nas ações da Semana de Luta pelo Futuro, mas nunca fizeste uma ação connosco? Queres aprender o essencial para agir com confiança?

No dia 1 de Maio, das 17h30 às 20h, estaremos na Alameda (no relvado junto ao IST), após a manifestação, para apresentar as ações da semana, esclarecer dúvidas e partilhar bases de ação direta. É importante participares na sessão completa.

Até lá. 
E obrigada pelo teu apoio!