Mais de 1300 morrem enquanto a justiça condena quem planta árvores.
Published on July 1, 2026 by Climáximo

A onda de calor que atravessa a Europa poderá tornar-se um dos episódios mais mortíferos alguma vez registados no continente. Segundo a Organização Meteorológica Mundial, já provocou mais de 1300 mortes nas últimas semanas, um número que deverá aumentar quando for feito o balanço completo depois do verão.

Mais de 190 milhões de pessoas deverão enfrentar temperaturas acima dos 35 graus em vários países europeus. Só a França contabiliza cerca de mil mortes em excesso, com hospitais a relatar um aumento abrupto de mortes entre pessoas idosas depois de dias consecutivos de calor extremo.  Há especialistas a admitir um cenário comparável ao da vaga de calor de 2003, que matou cerca de 15 mil pessoas no país e 70.000 em todo o continente.  

 Os recordes sucedem-se. A Alemanha ultrapassou pela primeira vez os 41,7 ºC e o calor já derreteu autoestradas e interrompeu linhas ferroviárias. Polónia, Dinamarca, Hungria, República Checa, Suíça e Áustria também registaram temperaturas inéditas. Em Londres, uma estação de metro ao ar livre atingiu 62°C à superfície.

Em Portugal, diretores escolares pediram a suspensão das aulas e o adiamento de exames por falta de condições nas escolas. Em Vila Real, uma escola básica foi fechada a cadeado em protesto contra as altas temperaturas sentidas dentro das salas de aula.

Até ao final de junho, o país já registava 59 dias de onda de calor em 2026, quando em todo o ano de 2025 tinham sido contabilizados 74. E as temperaturas devem voltar a subir e a aproximar-se dos 45ºC em grande parte do território. O calor pode ainda provocar apagões em algumas zonas. 


A crise climática já matou milhares de pessoas. Ainda assim, as prioridades do Estado continuam a ser outras. 

Na última semana, uma apoiante do Climáximo foi condenada a um ano e seis meses de pena suspensa depois de participar numa ação simbólica de plantação de árvores no Campo de Tiro de Alcochete.


O caso foi julgado num tribunal militar, apesar de a ação não ter provocado danos nem violência.

"Quero pôr a minha sentença em perspetiva. Um ex-dirigente do Chega foi condenado por prostituição infantil a um ano e três meses de pena suspensa. Três anos e meio de pena suspensa para o polícia que matou Odair Moniz. Pena suspensa de um ano e oito meses para um padre condenado por tentativa de abuso sexual de menor. Um professor foi condenado a três anos de prisão com pena suspensa por abuso sexual de crianças. Eu plantei árvores e recebi uma pena mais pesada do que um condenado por prostituição infantil." 
(Bianca Castro, após sentença)

Ao mesmo tempo, organizações como a Vida Justa, o SOS Racismo e apoiantes da causa palestiniana seguem sob ataque por denunciarem violência policial, racismo institucional e crimes de guerra.


Nem a polícia nem os tribunais vão travar a próxima onda de calor.

Só as pessoas comuns, juntas e em resistência, podem parar a destruição em curso. 

Na Albânia, centenas de pessoas romperam as barreiras que protegiam um projeto turístico ligado a Jared Kushner, genro de Donald Trump, e derrubaram as estruturas preparadas para um megarresort praia de Kakome.

A mensagem era simples: a Albânia não está à venda.



Também nós recusamos vender os nossos territórios, os nossos direitos e o nosso futuro.

Junta-te à nossa resposta popular e solidária ao verão infernal que já estamos (e vamos continuar) a enfrentar.

🔥 Ondas de calor, incêndios e fumo transformam os verões em estações cada vez mais difíceis de suportar.

☠️ Enquanto governos, empresas e os ultra-ricos responsáveis pela crise climática se refugiam nas suas piscinas e casas climatizadas, o povo enfrenta as consequências mortais de uma crise que não criou.

✊ Cabe-nos organizar uma resposta popular e solidária e construir o poder necessário para acabar com os combustíveis fósseis e este sistema de morte.

Preenche o formulário em climáximo.pt para te juntares às brigadas.


Obrigada por teu apoio💚 
Até já!