Números que não vão à conferência de imprensa
Published on February 13, 2026 by Climáximo
Olá!
Há números que todo governo gosta de anunciar. Outros? Nem por isso. É o caso dos números a seguir, que expõem as falhas do governo de Portugal no combate à crise climática e as suas consequências.
- Já são 16 mortes relacionadas com as tempestades, incluindo a de um trabalhador num acidente ocorrido durante a reparação de infraestruturas elétricas danificadas. Quanto aos feridos, só o hospital de Leiria recebeu quase 1000 utentes com trauma desde 28 de janeiro. Setúbal conta com 10 feridos ligeiros.
- Em Coimbra, a possibilidade de rebentamento dos diques do Mondego levou à retirada preventiva de 3.000 pessoas de suas casas, risco que se confirmou com o rompimento de 2 diques em menos de 24 horas. O município mantém o alerta para a remoção de cerca de 9.000 pessoas concentradas na malha urbana, que poderá vir a sofrer inundações.
- A nível nacional, a Proteção Civil contabiliza 1.200 pessoas deslocadas e 12.477 ocorrências desde o início de fevereiro. Em Almada, 48 moradores foram retirados de Porto Brandão e 31 pessoas tiveram de abandonar suas residências na Costa da Caparica devido a deslizamentos. No norte, milhares de derrocadas provocaram evacuações, danos agrícolas e estradas cortadas. Só em Aveiro há 63 vias interditas ou condicionadas.
- As falhas nos serviços essenciais continuam: 15.000 clientes sem água em Torres Vedras, 7.000 sem abastecimento de água em Arruda dos Vinhos.
- O número de clientes da E-Redes sem energia elétrica voltou a subir, sendo hoje de 45 mil. A subida do Tejo deixou ainda 200 animais isolados em Salvaterra de Magos, com bombeiros a assegurar a sua alimentação.
- Os danos atingem também o património cultural: 120 museus, monumentos e igrejas afetados em 20 concelhos, além de 21 teatros e cineteatros.
Perante a dimensão dos estragos, o Governo decretou situação de calamidade em 68 municípios e contingência em 48.
Só o povo salva o povo
Vidas perdidas, casas destruídas, pessoas sem água, luz ou abrigo: para nós, estes números são o resultado da guerra declarada por governos e empresas contra tudo o que amamos.
Organizar-nos é a única forma de travar a crise climática.
Nas últimas semanas estivemos nas zonas afetadas a levar donativos, ajudar na limpeza e ouvir as histórias de quem tem vivido diariamente essa crise. Mas esse trabalho ainda não acabou.
Junta-te a nós no dia 18 de fevereiro, quarta-feira, às 18h30, no Largo de Camões (Baixa-Chiado), em Lisboa.
📣 Convocamos esta concentração popular para fazermos, em conjunto, um ponto de situação das zonas afetadas e partilharmos os planos de apoio - idas, recolhas de bens e necessidades. Podemos também auto-organizar novas deslocações aos locais que apelam a apoio voluntário.
Ao mesmo tempo, com a chuva forte a abrandar, devemos reconhecer o risco de a situação deixar de ser “notícia” e ser esquecida ou normalizada.
Ninguém larga a mão de ninguém na luta para travar a crise climática.
Ao mesmo tempo, com a chuva forte a abrandar, devemos reconhecer o risco de a situação deixar de ser “notícia” e ser esquecida ou normalizada.
Ninguém larga a mão de ninguém na luta para travar a crise climática.
Contador de Repressão
Temos ainda outros números que não vão à conferência de imprensa: os da repressão contra quem se organiza pela justiça climática.
O Contador de Repressão, organizado por nossa equipa legal, mostra os resultados dos processos já concluídos contra apoiantes do Climáximo que participaram em ações diretas:
238 meses de prisão suspensa
5.500 horas de trabalho comunitário
28.140€ de multas e indemnizações e custos de tribunal
São sanções aplicadas a quem se mobiliza perante a crise climática - produzida por quem continua a lucrar com ela - e que está por trás da destruição que acabámos de descrever.
A equipa legal traz esses números e um ponto de situação mais amplo sobre a repressão do(s) movimento(s), dentro e fora de Portugal, em sua nova newsletter: “A ascensão do autoritarismo e a normalização de repressão como ferramentas de manutenção dum sistema em colapso”.
E em mais um artigo, a equipa legal explica o parecer histórico do Tribunal Internacional de Justiça (International Court of Justice) sobre justiça climática, que reforça a responsabilização dos Estados pela sua inação. Sabe mais em: “A quem apontamos o dedo quando o mundo arde?”.
E em mais um artigo, a equipa legal explica o parecer histórico do Tribunal Internacional de Justiça (International Court of Justice) sobre justiça climática, que reforça a responsabilização dos Estados pela sua inação. Sabe mais em: “A quem apontamos o dedo quando o mundo arde?”.
Fim ao Fóssil até 2030
A escolha política de manter a dependência fóssil tem consequências reais. E a devastação recente só confirma que a crise climática está a acontecer aqui e agora.
A alternativa existe: uma transição justa e urgente que proteja pessoas e territórios.
A alternativa existe: uma transição justa e urgente que proteja pessoas e territórios.
📅 9 de março, dia da tomada de posse do novo presidente, é também dia de estudantes, trabalhadores e reformados mobilizarem-se para exigir o fim dos combustíveis fósseis até 2030.
Nosso futuro não está à venda.
Vamos assistir enquanto tudo à nossa volta se deteriora ou organizar-nos para mudar o rumo?
Nesse dia entra em funções um novo presidente, com mandato até 2030. Este será um protesto de quem não consente com a destruição, a barbárie e a venda do nosso futuro.
Nós não desistimos, nós resistimos. E juntas podemos muito mais.
💚Obrigada por estares connosco.
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