Encontro pela Justiça Climática no Norte
A justiça climática é um conceito que reconhece que as alterações climáticas não afectam todas as pessoas da mesma forma. Os impactos ambientais, económicos e sociais das crises ecológicas recaem de maneira desigual sobre populações já vulnerabilizadas por pobreza, precariedade laboral, desigualdade de género, racismo, exclusão territorial ou acesso desigual à habitação, mobilidade, alimentação e saúde. A justiça climática liga, assim, a luta ecológica à defesa dos direitos humanos, da democracia e da dignidade social, procurando respostas que sejam simultaneamente sustentáveis, inclusivas e socialmente justas.
Em Portugal, os efeitos da crise climática fazem-se sentir tanto nos territórios urbanos como rurais. Nas cidades, os desafios incluem mortalidade e problemas de saúde associados à poluição automóvel, dependência energética, especulação imobiliária, habitação precária, turismo intensivo, impacto da aviação e dos cruzeiros e fragilidade dos sistemas alimentares dependentes de longas cadeias globais de abastecimento. Estas vulnerabilidades afectam de forma desproporcional populações de baixos rendimentos, idosos, migrantes e habitantes de bairros periféricos.
Nos territórios rurais, a crise climática cruza-se com o abandono e envelhecimento populacional, os incêndios florestais, a expansão de monoculturas intensivas, a mineração e os megaprojectos energéticos, a degradação ecológica e a perda de biodiversidade. Muitas comunidades enfrentam simultaneamente fragilidade económica, desaparecimento de serviços públicos e perda de controlo sobre os seus próprios territórios, enquanto saberes e formas de vida tradicionais se tornam progressivamente ameaçados.
Ao mesmo tempo, tanto nas cidades como no meio rural, existem já instrumentos institucionais e democráticos que podem ser accionados pelas populações e movimentos para aprofundar a participação cidadã e intervir sobre políticas locais e regionais. As políticas públicas podem ser transformadas quando cidadãos, colectivos e comunidades se organizam de forma informada, coordenada e territorialmente enraizada.
As Iniciativas Descentralizadas do Encontro Nacional pela Justiça Climática inserem-se precisamente nesta dinâmica de aproximação, articulação e construção de capacidade colectiva entre grupos, movimentos e pessoas envolvidas nas lutas pela justiça climática. Mais do que discutir alterações climáticas em abstracto, o Encontro no Norte procurará contribuir para a construção de respostas concretas, democráticas e socialmente justas para os desafios ecológicos do nosso tempo.
Data: 20 de junho de 2026
Horário: das 9h00 às 17h30
Participantes:
| Observalicia | MUBi - Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta | Provedor do Clima | UMAR Braga | XR Minho | AVE - Associação Vimaraense para a Ecologia | Unidos Em Defesa de Covas do Barroso | Civitas Braga | SOS Árvores Braga | Viana Ciclável | OPE - Organização para a Promoção dos Ecoclubes de Portugal | NEABI - Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indigenas | Climáximo | Coop99 - Cooperativa Integral do Porto | Associação Saco de Gatos - Gato Vadio) |
Apoio:
Coordenação Nacional do Pacto Climático Europeu